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A Vida da Gorduchita

A Vida da Gorduchita

10
Jan19

Ser herói exige esforço

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Dar sangue nunca foi fácil para mim. Quer dizer, houve uma ou outra dádiva em que tudo fluiu sem problemas, mas por norma é sempre um desafio.

 

A primeira vez que fui dar sangue foi na faculdade. Tinha sido organizada uma recolha pela associação de estudantes ou coisa que o valha e eu, como já pensava nisso há algum tempo e era mesmo ali, decidi ir.  A malta deitava-se nas marquesas, dava sangue, ia embora e eu continuava no meu sítio... o sangue saía praticamente a conta gotas. Ao fim de longo tempo, lá consegui encher o saquinho.

 

Todas as vezes desde aí foram assim, lentas, vagarosas, a ver os outros dadores despacharem-se e eu ali deitada, à espera que o meu sangue se dignasse a sair.

Houve vezes de ser picada em ambos os braços, porque num deles a agulha simplesmente entupiu. Lembro-me de, pelo menos, 2 ocasiões (uma muito recente) em que a dádiva ficou inutilizada porque não se conseguiu que saísse sangue suficiente (sim, há um valor mínimo, porque os saquinhos já estão preparados com produtos de conservação em quantidade ajustada a um determinada volume de sangue).

 

Hoje decidi ir dar sangue na hora de almoço. Tensões ok, hemoglobina também, tudo normal, toca a ir para a marquesa, qual é o braço que prefere, escolho o direito porque me lembro que a última vez foi mais ou menos fluída nesse braço, coloca garrote, espeta agulha... e começam os problemas.

Máquina não pára de fazer piiiiiii, a enfermeira ajusta a agulha, mexe um pouco para dentro, um pouco para fora, eu sempre a abrir e fechar a mão com força, já começa a sair sangue no dedo onde fizeram a picada para testar a hemoglobina, continuo a abrir e fechar mão, a enfermeira dá-me uma daquelas bolas anti-stress para ir apertando e continua ela própria a segurar a agulha para que se permaneça na mesma posição e não se encoste à veia. Já há uma gotinha de sangue junto à agulha, ela mantém-se sempre ali a segurá-la, e eu sempre a apertar a bolinha anti-stress. As dores nos braços começam a agudizar-se, faço um esforço hercúleo para conseguir manter aquele aperta-e-abre da mão. Não desista, diz ela, não vamos morrer na praia... com um enorme esforço, lá chego aos mínimos (diria, quase olímpicos).

 

O braço dói-me como nunca doeu, começa a instalar-se o formigueiro para ajudar à festa, após a retirada do garrote. A enfermeira foi uma querida que ainda me fez uma massagem no braço para ajudar a aliviar a dor (e ajudou mesmo).

Saí de lá com a sensação de missão cumprida... mas a custo!

 

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