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A Vida da Gorduchita

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16
Nov18

Livros 2018 | Prematuros

Amanhã, dia 17 de Novembro, celebra-se o Dia Mundial da Prematuridade. Já neste blogue falei deste dia aqui, aqui e aqui

Sei bem que a prematuridade é uma realidade que não é relevante para a maioria das pessoas. Também não o era para mim antes de ser tia de dois prematuros. E passou a ser verdadeiramente importante com o nascimento da minha prematura extrema.

Por isso, tive interesse em ler o livro "Prematuros" de João Pedro George.

Este livro, escrito pelo pai de uma menina nascida prematura, com 670g, parte de entrevistas a profissionais de saúde neonatal e de visitas a três hospitais e a uma maternidade (todos na grande Lisboa), bem como de entrevistas a diferentes pais que passaram pela experiência da prematuridade, para descrever o quotidiano intenso, dramático e profundamente humano das unidades de cuidados intensivos neonatais.

 

Acho que só quem passou pelo mesmo consegue sentir o aperto no coração ao ler algumas das passagens do livro, por se sentir a reviver tudo aquilo por que passou na UCIN, seja de que hospital for.

Mas o livro traz luzes, para qualquer pessoa, do que é aquele processo, de como é tão diferente de "simplesmente esperar que ganhem peso para ter alta", das diferenças de abordagem de cada unidade de saúde (fiquei quase com pena de não ser de Lisboa para poder ter tido a minha filha na Maternidade Alfredo da Costa). 

 

Acima de tudo, abre os olhos para o impacto na saúde pública e na sustentabilidade do SNS, que a prematuridade tem.

Um prematuro pode apresentar sequelas para a vida, decorrentes do nascimento antecipado. Das mais simples, como ligeiros problemas de visão, às mais complexas e graves, com consequências não só para o próprio e para a sua família, mas também para a comunidade em que se insere e instituições que os acolhem e deles cuidam.

Um prematuro extremo custa ao Estado cerca de 4000,00€/dia de internamento, de acordo com a informação veiculada no livro. Se multiplicar isto pelos 115 dias que a minha filha esteve internada, sei que nunca na vida irei descontar o suficiente para pagar aquilo que o SNS fez por ela.

E se, no meu caso, não foi possível aferir as causas da prematuridade e assim evitá-la, muitos casos existem que, se fossem devidamente acompanhados na fase de gestação, poderiam ter sido evitados.

 

Se tiverem oportunidade, leiam este pequeno livro. Nunca se sabe quando a prematuridade bate à vossa porta (ou de um familiar ou amigo) e, saber um pouco mais do processo será, certamente, uma ajuda preciosa nessa altura. 

 

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