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A Vida da Gorduchita

A Vida da Gorduchita

22
Jan16

Reflexão sobre a maternidade



Ontem a caminho do trabalho vinha a refletir sobre se sou uma mãe diferente daquela que imaginei que ia ser.
Coincidentemente, na página Vamos com calma no facebook, cruzei com a imagem acima (que "roubei") e com um post (muito bem escrito) que aborda o tema. 

Sou honesta se disser que antes de ser mãe, ou pelo menos de engravidar, não me debruçava muito sobre o assunto, nem era de fazer grandes comentários às mães e/ou grávidas.
Como toda a gente, devo ter tecido opiniões que depois "engoli", mas não retenho que tenha sido muito contundente sobre o assunto.
Ainda assim, questiono-me, agora, se tinha ideias que não estou a colocar em prática, se a realidade se mostrou bem diferente do que alguma vez pensei.

O facto de a minha filha ter nascido (super) prematura condicionou (e condiciona, ainda, certamente) muitos dos meus comportamentos.
Tornei-me talvez mais protectora, mais agarrada a ela do que pensei que viria a ser.
Aquelas coisas que dizia (acho eu) de "às vezes tem de se deixar chorar" e coisas que tais, é algo que nunca faço. Se ela chora, eu estou logo lá e pego nela, e abraço-a e dou-lhe mimos.
Achava que a minha irmã era super protectora com o seu primeiro filho, quase não saindo de casa quando ela era pequenino, e tendo as cortinas fechadas por causa da luz e do sol (e já não me lembro mais o quê). E achava que era importante as crianças saírem e estarem com outras pessoas, e serem capazes de dormir em qualquer lado, inclusive com barulho e luz.
Mas dou por mim a só tirar a minha pequerrucha de casa em situações de necessidade, ou para passeios, em dias de sol, ali pelas redondezas da casa. Não vou com ela para shopings, não vou simplesmente dar um passeio de carro algures, não saio com ela para ir jantar com uns amigos ou visitar algo.
Não gosto de lhe trocar as rotinas de refeição e sono, não gosto de a expor a muita gente e locais barulhentos. Habituei-a a estar no seu sossego e por isso só muito dificilmente adormece sem ser em sítios calmos e a meia luz.

Outra coisa que sempre defendi foi que se decidimos ter filhos, não podemos estar a fazer contas com a ajuda dos avós. Temos de ser capazes de gerir as nossas vidas e pronto. Recorrer aos avós deve ficar para situações pontuais.
Hoje em dia, recorro muitas vezes aos meus pais (e também aos meus sogros) para ficar com ela, para poder ter momentos a dois, para arejar a cabeça, para poder sair de casa.
Continuo a achar que não devemos criar-lhes (aos avós) compromissos no seu dia a dia (tipo serem sempre eles a ir buscá-los à escola/creche, ou a ficarem com eles durante o dia), mas praticamente todas as semanas peço aos meus pais para ficarem uma noite com a S. para poder ir jantar fora e desligar um pouco.

No que à educação dela diz respeito, ainda será cedo para me avaliar. Ainda é muito pequena...
É certo que me socorro da televisão e do telemóvel mais vezes do que gostaria e do que seria desejável, mas fora isso, penso que não tenho fugido muito daquilo que sempre achei.

Continuo a achar que poderia ser muito melhor mãe do que sou. A achar que deixo muitas vezes a preguiça vencer sobre aquilo que acharia mais correto fazer. Tento melhorar a cada dia, nomeadamente no que à confeção das refeições diz respeito, mas estou ainda muito aquém de outras mães dedicadas deste mundo online.

E tenho de a tirar mais vezes de casa... mas vou esperar pelo bom tempo! :D



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