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A Vida da Gorduchita

A Vida da Gorduchita

07
Jun17

Quando tem de ser... tem de ser!

Nunca fui pessoa avessa às agulhas. Sempre que vou fazer análises fico a olhar para a agulha enquanto é espetada no braço, sou dadora de sangue mesmo que às vezes tenha de alternar braços para conseguir encher o saquito (a agulha entope, volta e meia, sei lá)... Nunca me fizeram confusão, pronto.

 

Até ter a minha filha. Até a pessoa a ser picada ter deixado de ser eu e ter passado a ser aquele ser pequenino que eu gerei dentro de mim. Mas até isso foi sujeito a teste penoso, e a pessoa habitua-se adapta-se às circunstâncias.

 

Escrevo isto a propósito deste post da S*.

Lembrou-me de como me custou (doeu, mesmo, ainda que emocionalmente) as primeiras vezes que vi a minha S. ser picada.

Era um pequenino ser com menos de 800g, pele e osso (na verdadeira acepção do conceito), e pejada de catéteres para a alimentar, para se poder tirar sangue, para se ministrar medicação...

E os diabos dos catéteres sempre a sair, porque não se aguentavam... era preciso quase diariamente fazer novas picagens, para colocar novos... e os locais disponíveis a rarear cada vez mais.

 

Certo dia, cheguei ao hospital e S. tinha um cateter colocado no topo da testa. Sim, da testa. Não é erro. Tinha sido avisada previamente que tal poderia acontecer, atendendo ao facto de as mãos, pés, pernas, braços estarem já demasiado picados e a precisarem de alguns dias para descansarem. Tinham-me já dito que só não o faziam mais vezes porque é algo que causa muito impacto visual, mas que é uma veia como qualquer outra e que é até bastante boa para o efeito.

Não vi a colocação. Acho que seria incapaz. E estranhei nas primeiras horas. Mas depois, aquilo entranhou-se e comecei a encarar aquele aparato como um chapéuzito de chinês (a quantidade de adesivo para o segurar formava um pequeno cone). Custou menos. Até ficava engraçado (mas como os outros, não se aguentou mais que 2-3 dias).

 

Antes e depois disso, vi a minha pequenina ser picada várias vezes, tanto no âmbito do internamento na Neonatologia como aquando de todas as vacinas que tomou.

Se custa? Claro que custa! Mas o meu coração foi-se apaziguando com o tempo, com a experiência, e com o mentalizar-me que aquilo é para seu bem.

Quando tem de ser... tem de ser!

 

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