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A Vida da Gorduchita

A Vida da Gorduchita

14
Set17

Mães Arrependidas

Não sou pessoa de vir para aqui fazer grandes reflexões ou analisar assuntos do dia, mas depois de, em dois dias, ter cruzado com este segredo no Shiuuuueste post no blog da Maria do Mundo e este post no blog da Fatia Mor, senti necessidade de me debruçar, até para mim mesma, sobre este tema da maternidade.

 

Quem me conhece, sabe que o meu sonho de vida não passava, obrigatoriamente, por ser mãe. Aliás, disse muitas vezes, e durante muitos anos, que não queria ter filhos, mas o tempo e o compromisso a dois levou a uma mudança de atitude. 

Não foi fácil engravidar, tive um aborto pelo caminho, foi complicado engravidar novamente e para me testar ainda mais a vontade e a capacidade, tive um parto prematuro às 25 semanas, que implicou acompanhar a minha filha (agora, felizmente, linda e saudável) durante 4 meses nos Cuidados Intensivos de Neonatologia.

Há quem diga que Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores guerreiros, mas eu, sou franca, não me sinto nada guerreira e dispensava aquela batalha.

 

Só comecei a viver a maternidade em pleno quando levei a minha bebé para casa e comecei a assumir todas as rotinas e responsabilidades a ela inerentes.

Ao contrário do que muita gente diz ter-lhe acontecido, não tenho memória de alguma vez me terem feito um cenário idílico ou um cenário infernal da maternidade. Iam-me falando das coisas boas e das coisas más, e, como a toda gente, foi-me dito "só sabes quando fores mãe" ou "quando fores mãe tu vais ver/perceber".

Honestamente, aplica-se à maternidade aquilo que se aplica a tantas outras coisas: só sabemos como é depois de conhecermos por dentro a situação. Não é um exclusivo de se ter filhos. É mesmo assim na vida.

 

Entendo, no entanto, esta insistência na questão da maternidade (desculpem-me os pais, também na paternidade) porque se fala de um amor que é diferente dos outros, de uma responsabilidade que é diferente das outras, de uma entrega que é diferente das outras.

E acho que é aqui, especialmente aqui, que residem os arrependimentos, falados no livro Mães Arrependidas, de Orna Donath. 

Penso que a maioria se arrepende exatamente por esta responsabilidade, por esta entrega. Pelas enormes mudanças que traz à vida (pessoal e do casal), ao medo que se instala de se perder aquele/a filho/a, ao coração que fica, para sempre, em alerta.

Não quer dizer que não amem os filhos, acho mesmo que o arrependimento é, muitas vezes, por os amarem demais, e no impacto que isso tem na sua vida.

A verdade é que nem toda a gente está preparada para tudo o que a parentalidade implica e nem todas as mulheres se realizam na maternidade. 

 

Já algumas vezes o disse em conversa com amigos e acho que não devia haver vergonha de o assumir:

Amo, com todas as minhas forças, a minha filha, farei tudo o que estiver ao meu alcance (físico, emocional, financeiro) para que ela se sinta sempre amada e acarinhada, tenha uma boa vida e seja feliz.

Mas não amo ser mãe. Sabendo o que sei, conhecendo os impactos que a maternidade teve na minha vida, se voltasse atrás, se não houvesse a questão da perda (insuportável só de imaginar), escolheria não ter filhos.

E isto não faz de mim má mãe!

 

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