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A Vida da Gorduchita

A Vida da Gorduchita

11
Abr17

Eu era uma mãe perfeita até que um dia tive filhos

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Esta é uma frase com que cruzei já algumas vezes nas redes sociais que reflete, de certa maneira, a forma como nós mulheres encaramos a maternidade.

Na geração anterior à minha, ninguém pensava se era ou não uma mãe perfeita, ninguém tentava sê-lo, ninguém tinha um referencial estranho que tentava seguir.
Na geração anterior à minha, a maternidade era encarada de forma “natural”. Aprendia-se com as mães da família a tratar das crianças e a educá-las. Usava-se o instinto e fazia-se o melhor que se sabia.
Na geração anterior à minha, a criança ficava, numa grande parte das vezes, ao cuidado da mãe ou de familiares até à idade de ir para escola. E quando chegava essa idade, ia para a escola que ficava mais perto de casa.
E pronto. Isso chegava.

Hoje em dia, isso parece não chegar. Rara é a mulher (desculpem o sexismo, mas ainda é nela que recai, na maioria das vezes, a grande parte da gestão da vida da criança) que se baseia apenas na experiência de familiares e amigas.

E a quantidade de informação é tanta que o filtro é dificílimo de fazer.
Existem livros, sites, apps sobre a educação, sobre o sono, sobre a alimentação… Há pediatras, especialistas do sono, doulas, nutricionistas.
Há os autores que defendem que se deve deixar chorar para o bebé aprender a dormir, e outros que afirmam que esta abordagem traz danos neurológicos na criança. Aqueles que dizem que devemos deixar a criança experimentar a comida sólida de forma autónoma, e os que defendem a introdução de sólidos através de papas e sopas.
Há os defensores das fraldas de pano e os defensores das fraldas descartáveis e até os que defendem que a criança nunca deveria usar fralda. Os que defendem que não há mimo a mais e os que acham que se estivermos sempre a dar colo à criança/bebé a estamos a “estragar”.
Há a parentalidade positiva, há a parentalidade consciente, há os que acham que isso são modernismos e que uma palmada nunca fez mal a ninguém.
Os que acham que nos focamos demasiado nos nossos filhos e os que acham que esta geração não serve para pais e que está sempre com tablets e telemóveis em frente aos miúdos.
Há a pressão da alimentação correta, sem açúcares, sem sal…
E na hora de escolha da escola (na verdade, logo do jardim-de-infância), a mais próxima já não é, muitas vezes, a opção imediata. Há correntes pedagógicas (montessori, high scope, movimento escola moderna, reggio emilia, waldorf,..), há rankings do Ministério da Educação, há públicas e privadas.

No meio de tudo isto, e de tantas outras teorias e doutrinas, as escolhas são quase impossíveis. E sentimo-nos culpadas de cada vez que não cumprimos esta ou aquela premissa que lemos num qualquer livro, num qualquer site e com a qual achamos concordar.
Acho que nunca como agora, nos focamos nos nossos filhos. Nunca como agora, adaptamos as nossas vidas às vidas deles, às suas prioridades. Nunca como agora, sentimos pressão e nos esforçamos para passar tempo com eles (e com vidas profissionais cada vez mais exigentes).

Internamente, sentimos que temos de ser mães perfeitas, mas a verdade é que tal não existe. Há que tentar voltar um pouco atrás e focarmo-nos mais nos nossos instintos. No que a maternidade diz respeito, aqueles raramente falham!

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